Barbican

Fundado e gerenciado pela City of London Corporation, Barbican ocupa um espaço que  foi devastado pela Blitz na Segunda Guerra Mundial.

Ruas que parecem mais corredores. Antes mesmo de chegar no Barbican você já vai ficando imerso nas construções altas e robustas

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Chegando no Barbican

Pra contar toda a história do Barbican teria que escrever um livro e não um post, por isso, darei uma passada superficial pela história. Começando com a invasão dos Romanos e pulando direto pra Segunda Guerra Mundial! Beleza? Joinha?

Londinium para os Romanos, City of London pra gente!

Foi em 43 D.C. que os Romanos invadiram a Bretanha e fundaram Londinium. Dez anos após a invasão eles sofrem um ataque que acaba com a cidade. Mas os guris não eram fracos e rapidamente a reconstruíram redobrando seu tamanho e a cercando com um muro (The Wall).

Cripplegate, esse era o nome de um dos seis portões que havia no muro que cercava a Londres Romana. Mas inicialmente ela foi construída para ser um “Barbican” que servia como uma área de proteção extra no limite norte do muro e que mais tarde seria derrubada.


Segundo tradução feito pela Oxford English Dictionary (2nd edition), Barbican serve como um local fora do castelo ou cidade para trazer proteção extra contra ataques ou até mesmo podem ser torres de vigia construídos em cima de pontes ou portões.


City of London e Cripplegate

Séculos depois nosso Pokémon evoluiu de Londinium para City of London e, em 1760 o portão de Cripplegate é demolido. O material da demolição foi vendido e na época custou £91.

Por volta da década de 1850 a região estava superpopulosa. Em toda a City of London eram 129,000 habitantes. Só em Cripplegate eram 14,000 pessoas. Nessa época a City não era tão legal de passear. As construções eram escuras, as ruas estreitas e sem uma boa circulação de ar.

A partir da segunda metade do séc. XIX grande parte de Cripplegate foi comprada por empresas ferroviárias para que novas plataformas de trens fossem construídas. E essa região era bastante procurada por vendedores pois havia um forte comércio de trapos e tecidos. Para atender a alta demanda muitas casas foram substiuídas por depósitos e esses fatores fizeram com que grande parte da população de Cripplegate debandasse para regiões periféricas de Londres.


Em 1897 houve um grande incêndio da qual teve início num depósito de plumas de avestruz que rapidamente se alastrou por Cripplegate.


Blitz e a Reconstrução

No dia 29 de dezembro de 1940 a City of London foi fortemente bombardeada e Cripplegate praticamente sumiu. No ano de 1951 registros mostravam que o número de habitantes havia caído de 14,000 para apenas 48 e a população total da City era de 5,324 habitantes.

Em 1952 iniciam as discussões sobre qual a melhor solução para a região devastada. A City of London Corporation (o corpo de governo da City) possuía um forte interesse em construir blocos residenciais. A estratégia era a de atrair moradores aumentando a população dessa região que havia caído drasticamente após a Segunda Guerra. Mas havia mais uma preocupação, a City queria poder ter controle dessa grande área garantindo moradores de poder aquisitivo mais alto.

Em 19 de setembro de 1957 o Tribunal do Conselho Comum aceita a proposta autorizando a construção do devastado Cripplegate, reconhecendo que construir genuinamente prédios residenciais seria algo bom para a região.

Brutalismo não é brutalidade

Brutalismo é um estilo/movimento arquitetônico modernista que marca o otimismo da era pós guerra e ficou famoso entre as décadas de 50 e 70. A primeira construção mais famosa desse movimento se chama, Unité d’habitation (1952), do arquiteto Le Corbusier. Foi ele também que chamou essa estética de Brutalismo, do francês, béton brut (concreto cru).

De fato obras brutalistas são marcadas por concreto e pilares á mostra, revelando toda parte estrutural de uma construção. Na época os arquitetos que aderiram a esse estilo eram vistos quase como rebeldes. Jovens que estavam saindo da escola tradicional em busca de novos ares encontraram no Brutalismo a possibilidade de ir contra as regras de estética antes impostas.

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Concreto, pilares, janelões, espaços amplos e prédios altos. Construções sem pomposidades.

Barbican

Chamberlin, Powell e Bon (CB&P), são os arquitetos que projetaram o complexo Barbican e embora eles tenham bebido bastante da fonte Le Corbusier, os meninos não utilizam expressões como Modernismo ou Brutalismo em seus projetos, eles preferiam se referir as obras deles como “estilo sem estilo”. Por outro lado, eles não negavam de onde vinham suas inspirações!

Planos abertos, palafitas de concreto, janelas de altura total (do chão até o teto, valorizando luz natural), jardim no telhado, longas tiras dando formas e movimento ás construções eram cenas já vistas em outros países e os jovens ingleses já observavam esse fenômeno para que servisse de inspiração em suas obras.


Na época era importante para os arquitetos da CB&P que as construções trouxessem para os moradores a sensação de privacidade, conforto e segurança do mundo exterior. Traumas herdados pela guerra. 


O Barbican é uma espécie de casulo onde seus mais de 4,000 moradores podem contar com toda paz e conforto. São 140 diferentes estilos de apartamentos espalhados entre três torres residenciais e mais 13 blocos dando um total de 2,014 apartamentos.

Mesmo os menores apartamentos trazem o conforto necessário otimizando os espaços internos com paredes altas e mezaninos, janelas que vão do chão até o teto possibilitando o máximo de luz natural, ambientes integrados e paredes deslizantes para separar cômodos.

Barbican

Complexo Barbican: Barbican Estate, City of London School for Girls; prédio do YMCA (Young Men’s Christian Association); Guildhall School of Music and Drama; Barbican Public Library, London Museum e Barbican Centre.

Barbican
Lago com fontes para os moradores

Os moradores possuem jardim de acesso exclusivo, lago com fontes pra trazer charme e tranquilidade ao som da água, todo o complexo é livre de passagem de carros, ou seja, sem barulho e a paz de poder andar sem preocupação e as crianças brincarem sem perigo.

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Vista do corredor de um dos blocos
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Barbican foi feito para as pessoas circularem tranquilas sem o stress de carros
Barbican Estate
Área de lazer dos “Barbicanos”
Barbican
Jardim de acesso exclusivo para moradores
Barbican
De um lado temos a Rainha descrevendo o Barbican Centre como “Uma das maravilhas do mundo moderno” (1982). Do outro lado temos o Barbican recebendo prêmio de “A construção mais feia de Londres” (2003).

Barbican Centre foi o último a ser construído e demorou 11 anos para que ficasse pronto (1971-1982). Lá se concentram as salas de cinema, teatro, concerto, a galeria de arte, o conservatório, biblioteca, loja, cafés e restaurantes. O local é de livre circulação com mesas e poltronas disponíveis para os visitantes. Para visitar as exposições é preciso pagar.

Barbican Centre
Interior Barbican Centre

Anos atrás quando fui pela primeira vez a convite de uma amiga não fazia ideia do que esperar e quando cheguei eu disse, “Barbican, mal te conheço e já te considero pacas”. hahaha

Me encantei com o local e depois que soube de sua história minha admiração aumentou. É muito comum eu ir lá apenas para dar uma passeada sem o compromisso de participar de algum evento, apenas quero me inspirar, ficar tranquila e observar. E essa dica de turismo é boa. Um local histórico que por si só, é uma obra de arte.

Barbican
A mistura do cru com colorido

Caminhar pelos corredores extensos e ver ruínas da época dos Romanos é como andar pela linha do tempo voltando séculos. Essa difusão entre o antigo com moderno são fatores que transformam o local rico e atraente. Um tesouro preservado ao meio do modernismo, um projeto do século XX que traz como inspiração conceito já utlizado pelos Romanos, de fazer um local protegido, um Barbican!

Barbican
Dentro da sala de concertos. Nesse dia assisti ao BBC Symphony Orchestra
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Show do José González

Já assisti diversos shows no Barbican Centre, e pra mim, sem dúvidas, é uma das melhores salas de shows de Londres.

Barbican Estate
Ruína do muro que cercava a City of London (The Wall)

No meio de tanta modernidade futurística os arquitetos fizeram questão de manter a história que esse local carrega e esse é mais um motivo para visitar o Barbican!

Barbican
St Giles’ Cripplegate Church sofreu incêndio e ataques. Uma parte precisou ser reconstruída, mantendo sua originalidade.

Muitas coisas aqui escritas aprendi num tour que foi guiado por um morador do Barbican Estate.

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Tour guiado
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Amplitute

That’s all folks! 🙂

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